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Como é o planejamento da cirurgia ortognática?

há 3 dias
9 min de leitura

A cirurgia ortognática não começa no centro cirúrgico.

Antes de movimentar os ossos da face, existe um processo detalhado de diagnóstico, planejamento e preparação ortodôntica que permite definir o que precisa ser corrigido, quais movimentos serão realizados e como os maxilares deverão se relacionar ao final do tratamento.


Em geral, o planejamento envolve a atuação conjunta do cirurgião bucomaxilofacial e do ortodontista, além da análise clínica, fotografias, exames de imagem, modelos ou escaneamentos digitais dos dentes e, quando indicado, planejamento virtual em três dimensões por meio de tomografias faciais.


O objetivo não é simplesmente “colocar a mandíbula para trás” ou “colocar o maxilar para frente”. O planejamento precisa considerar função, mordida, posição dos maxilares, proporções faciais, vias aéreas, articulações temporomandibulares, tecidos moles e expectativas do paciente.


Por isso, cada cirurgia ortognática é planejada individualmente com muito critério.


O que é a cirurgia ortognática?

A cirurgia ortognática é uma cirurgia realizada para corrigir alterações na posição ou no desenvolvimento dos maxilares que não podem ser solucionadas adequadamente apenas com aparelho ortodôntico.


Ela pode ser indicada em diferentes situações, como:

  • mandíbula projetada para frente;

  • mandíbula muito para trás;

  • maxila posicionada muito para frente ou para trás;

  • mordida aberta;

  • mordida cruzada;

  • excesso ou deficiência vertical da face;

  • assimetrias faciais relacionadas ao esqueleto;

  • discrepâncias importantes entre maxila e mandíbula;

  • algumas alterações associadas a problemas funcionais, incluindo determinados casos de apneia obstrutiva do sono.


A indicação depende do diagnóstico individual e da relação entre os dentes, os maxilares e as estruturas faciais. É importante entender que nem toda alteração na mordida precisa de cirurgia. Em alguns pacientes, o tratamento ortodôntico isolado é suficiente. Em outros, existe uma alteração esquelética que limita o resultado que pode ser obtido apenas movimentando os dentes.


Quem participa do planejamento da cirurgia ortognática?

O tratamento ortognático normalmente envolve uma abordagem conjunta entre ortodontia e cirurgia bucomaxilofacial. O ortodontista é responsável pelo planejamento e movimentação dos dentes, enquanto o cirurgião bucomaxilofacial planeja os movimentos dos ossos maxilares e realiza a cirurgia. Essa comunicação é fundamental porque os dentes e os ossos precisam ser planejados em conjunto.


A posição dos dentes antes da cirurgia não é necessariamente a posição em que eles permanecerão depois dela. O tratamento ortodôntico precisa preparar a arcada para que, quando os maxilares forem reposicionados, exista uma relação adequada entre os dentes superiores e inferiores.


planejamento de cirurgia ortognática

1. O planejamento começa com a consulta especializada

O primeiro passo é entender qual é a queixa do paciente e qual é o problema que precisa ser corrigido.

Durante a consulta especializada, são avaliados aspectos como:

  • histórico médico e odontológico;

  • queixa principal;

  • alterações na mordida;

  • mastigação;

  • fala;

  • respiração;

  • assimetrias;

  • dores ou alterações nas articulações temporomandibulares;

  • hábitos e funções orais;

  • proporções faciais;

  • exposição dos dentes e sorriso;

  • expectativas em relação ao tratamento.


Essa etapa é importante porque duas pessoas podem apresentar uma alteração aparentemente semelhante na mordida, mas terem diagnósticos e planos cirúrgicos completamente diferentes.


2. São realizados exames e registros para entender a face em três dimensões

Depois do exame clínica em consulta e análise facial, podem ser solicitados diferentes exames para complementar o diagnóstico.


Entre eles estão:

Fotografias faciais

As fotografias permitem analisar a face de frente, perfil e diferentes posições, além de aspectos como:

  • simetria;

  • proporções faciais;

  • perfil;

  • sorriso;

  • exposição dentária;

  • relação entre nariz, lábios e queixo.


Exames radiográficos

Dependendo do caso, podem ser utilizados exames como radiografias panorâmicas e telerradiografias. A telerradiografia lateral pode ser utilizada para análises cefalométricas, enquanto outros exames ajudam a avaliar dentes, estruturas ósseas e relações anatômicas.


Tomografia computadorizada de feixe cônico (TCFC/CBCT)

Em determinados casos, a tomografia permite avaliar as estruturas craniofaciais em três dimensões. Ela pode fornecer informações importantes para o planejamento de movimentos dos maxilares e para a avaliação das estruturas anatômicas envolvidas.


Escaneamento intraoral

O escaneamento digital pode substituir ou complementar os modelos convencionais dos dentes, permitindo criar uma representação tridimensional das arcadas.


3. Os dentes também precisam ser planejados

Essa é uma das partes que mais confundem quem está pensando em cirurgia ortognática. A cirurgia movimenta os maxilares, mas os dentes também precisam estar preparados para acompanhar esse novo relacionamento.


Por isso, na maioria dos tratamentos convencionais, existe uma fase de ortodontia antes da cirurgia. O aparelho não está ali apenas para “deixar os dentes bonitos”. Ele prepara os dentes para que, quando os maxilares forem reposicionados cirurgicamente, exista uma relação adequada entre as arcadas.


Na ortodontia convencional, essa preparação pode durar muitos meses e varia bastante de acordo com o diagnóstico e a complexidade do caso.


4. O planejamento cirúrgico define quais movimentos serão realizados

Com todas as informações reunidas, o cirurgião e o ortodontista conseguem definir o objetivo do tratamento.

Nesse momento, algumas perguntas precisam ser respondidas:

A maxila precisa ser movimentada?

A mandíbula precisa ser movimentada?

É necessário operar os dois maxilares?

Existe necessidade de cirurgia no mento?

Quanto cada estrutura precisa ser movimentada?

Em qual direção?

Como ficará a mordida depois da cirurgia?

Como esses movimentos irão influenciar o perfil e o contorno facial?

É justamente por isso que não existe uma “cirurgia ortognática padrão”.

O procedimento pode envolver apenas um dos maxilares ou ambos, dependendo do diagnóstico.


5. O planejamento virtual em 3D permite simular a cirurgia

Atualmente, muitos casos podem ser planejados utilizando planejamento cirúrgico virtual tridimensional.

Nesse processo, diferentes informações do paciente podem ser integradas em um ambiente digital, como:

  • tomografia;

  • escaneamento dos dentes;

  • fotografias;

  • escaneamento facial, quando disponível;

  • modelos digitais.

A partir dessas informações, é possível criar uma representação tridimensional da anatomia do paciente e simular os movimentos cirúrgicos antes da operação.

O planejamento virtual permite visualizar diferentes possibilidades e estudar a posição final dos maxilares antes de realizar a cirurgia.


Tecnologias mais recentes também permitem integrar escaneamentos faciais ao planejamento, acrescentando informações sobre os tecidos moles e a aparência facial ao modelo virtual. Essa tecnologia é promissora, embora alguns aspectos relacionados à precisão da previsão dos tecidos moles ainda estejam sendo estudados.


O planejamento virtual mostra exatamente como o rosto ficará?

Não.

O planejamento virtual permite simular os movimentos dos ossos e visualizar possíveis resultados, mas não significa que seja possível prever com exatidão absoluta a aparência final do rosto.

Os tecidos moles, pele, músculos, gordura, lábios e outras estruturas, respondem aos movimentos ósseos de maneira individual. Por isso, uma simulação computadorizada deve ser entendida como uma ferramenta de planejamento, e não como uma promessa de resultado estético idêntico à imagem produzida pelo computador.


O planejamento tridimensional pode aumentar a precisão e facilitar a transferência do planejamento para a cirurgia, mas ainda existem limitações e variabilidade entre os métodos e os pacientes.


6. São planejados os dispositivos que ajudarão durante a cirurgia

Depois que os movimentos são definidos, o planejamento precisa ser transformado em algo que possa ser utilizado durante o procedimento cirúrgico.

Dependendo da técnica e do caso, podem ser utilizados:

  • guias cirúrgicos;

  • splints interoclusais;

  • placas de osteossíntese;

  • placas personalizadas;

  • modelos tridimensionais;

  • outros dispositivos produzidos a partir do planejamento digital.


O objetivo é transferir para o paciente dentro da cirurgia o planejamento já realizado previamente. Estudos recentes indicam que o uso de planejamento virtual associado a guias personalizados pode melhorar a correspondência entre a posição planejada e a posição cirúrgica dos maxilares, embora os resultados dependam da técnica utilizada e das características de cada caso.


7. A cirurgia é planejada antes de ser realizada

Quando o planejamento está concluído, o cirurgião já sabe quais movimentos pretende realizar. Dependendo do diagnóstico, podem ser realizados procedimentos como:


Osteotomia Le Fort I

Movimentação cirúrgica da maxila.


Osteotomia mandibular

Procedimento utilizado para reposicionar a mandíbula.


Cirurgia bimaxilar

Quando é necessário reposicionar maxila e mandíbula.


Mentoplastia

Em determinados pacientes, pode ser associada para modificar a posição ou o formato do mento e melhorar a harmonia entre as estruturas faciais.

A indicação de cada procedimento depende do diagnóstico individual.


8. O planejamento não termina no dia da cirurgia

Existe uma ideia equivocada de que a cirurgia é o “fim” do tratamento.

Na realidade, ela é uma etapa dentro de um processo maior.

Após a cirurgia, geralmente continua o acompanhamento ortodôntico para realizar os ajustes finais da mordida. O objetivo é estabilizar a nova relação entre os dentes e os maxilares e realizar os refinamentos necessários.


Portanto, o tratamento ortognático pode ser dividido, de maneira simplificada, em:

Diagnóstico → preparação ortodôntica → planejamento cirúrgico → cirurgia → finalização ortodôntica → acompanhamento.


É possível fazer cirurgia ortognática antes do aparelho?

Em alguns casos selecionados, existe a abordagem conhecida como surgery-first, na qual a cirurgia é realizada antes da preparação ortodôntica convencional.


Entretanto, essa estratégia não é indicada para todos os pacientes.


A escolha entre uma abordagem convencional e uma abordagem surgery-first depende de fatores como diagnóstico, características da mordida, planejamento ortodôntico, estabilidade e experiência da equipe.


Por isso, não é correto afirmar que todo paciente precisa obrigatoriamente passar pelo mesmo caminho. Existem diferentes protocolos de tratamento, e a escolha deve ser individualizada.


Quanto tempo dura o planejamento da cirurgia ortognática?

Essa é uma pergunta que não tem uma resposta única.

O tratamento ortognático completo pode durar anos, principalmente quando envolve uma fase significativa de ortodontia antes da cirurgia e uma fase de finalização depois dela.

O tempo depende de fatores como:

  • idade;

  • tipo de deformidade dentofacial;

  • complexidade do caso;

  • condição dos dentes e gengivas;

  • necessidade de tratamento odontológico prévio;

  • resposta ao tratamento ortodôntico;

  • tipo de cirurgia;

  • necessidade de procedimentos complementares;

  • estratégia escolhida pela equipe.

Por isso, desconfie de promessas de que determinada cirurgia ortognática terá exatamente o mesmo tempo de tratamento para todos os pacientes.


O que precisa estar pronto antes da cirurgia?

Antes de realizar a cirurgia, é necessário que o paciente esteja adequadamente preparado.


Isso pode envolver:

  • saúde bucal adequada;

  • tratamento de cáries e doenças periodontais, quando presentes;

  • preparação ortodôntica;

  • exames pré-operatórios;

  • planejamento cirúrgico final;

  • definição da técnica cirúrgica;

  • avaliação das condições clínicas do paciente;

  • orientações sobre cirurgia e recuperação.


A saúde dos dentes e gengivas é especialmente importante porque o tratamento ortodôntico e a cirurgia exigem uma condição bucal adequada.


Por que o planejamento é tão importante na cirurgia ortognática?

Porque não estamos simplesmente movimentando um osso.

Estamos alterando a relação entre estruturas que participam da mastigação, fala, respiração, deglutição e estética facial.


Uma pequena mudança na posição de um maxilar pode modificar:

  • a mordida;

  • o perfil;

  • a exposição dos dentes;

  • a posição dos lábios;

  • o contorno mandibular;

  • a relação entre os maxilares;

  • a simetria facial;

  • a percepção das proporções do rosto.


Por isso, planejamento e execução precisam caminhar juntos.

A tecnologia tridimensional trouxe novas possibilidades para visualizar e transferir esses movimentos, mas ela não substitui o diagnóstico e a experiência clínica. O computador pode simular movimentos; quem precisa decidir quais movimentos fazem sentido para aquele paciente é a equipe responsável pelo tratamento.


Cirurgia ortognática é apenas estética?

Não.

Embora a cirurgia ortognática possa produzir mudanças importantes na aparência facial, sua indicação está relacionada principalmente à correção de discrepâncias dentofaciais e à melhora da função, de acordo com o diagnóstico.


A aparência facial é uma parte importante do planejamento porque os maxilares fazem parte da estrutura que determina as proporções do rosto.


Por isso, o planejamento deve buscar equilíbrio entre função, estabilidade, saúde e estética, respeitando as características individuais do paciente.


Como escolher um profissional para fazer sua cirurgia ortognática?

Mais importante do que procurar apenas pela técnica mais moderna é entender como o seu caso será diagnosticado e planejado.

Durante a consulta especializada, vale perguntar:

  • Qual é o meu diagnóstico?

  • Minha alteração é dentária, esquelética ou uma combinação das duas?

  • A cirurgia é realmente necessária?

  • Quais são as alternativas?

  • Quais estruturas precisarão ser movimentadas?

  • Precisarei usar aparelho antes da cirurgia?

  • Como será feito o planejamento?

  • Será utilizado planejamento virtual em 3D?

  • Quais são os objetivos funcionais e estéticos do tratamento?

  • Quanto tempo aproximadamente deve durar o tratamento completo?

  • Como será o acompanhamento depois da cirurgia?

Uma boa decisão começa antes da cirurgia, começa com um diagnóstico bem feito e um planejamento individualizado.


Perguntas frequentes sobre o planejamento da cirurgia ortognática

Preciso usar aparelho antes da cirurgia ortognática?

Na abordagem convencional, sim. O tratamento ortodôntico pré-operatório prepara a posição dos dentes para a cirurgia. Existem, entretanto, casos selecionados em que pode ser considerada a abordagem surgery-first.


Quais exames são necessários para planejar a cirurgia ortognática?

Os exames variam de acordo com o caso, mas podem incluir fotografias faciais, radiografias, análise cefalométrica, tomografia computadorizada de feixe cônico, escaneamento intraoral e, em alguns protocolos, escaneamento facial.


O planejamento da cirurgia ortognática é feito em 3D?

Atualmente, o planejamento virtual tridimensional é utilizado em muitos centros e pode integrar diferentes registros do paciente para simular os movimentos cirúrgicos. A indicação e o protocolo dependem do caso e da equipe.


A simulação 3D mostra exatamente como vou ficar?

Não. Ela auxilia na previsão e no planejamento, mas a resposta dos tecidos moles é individual e não pode ser prevista com precisão absoluta.


Quanto tempo demora todo o tratamento?

Não existe um período único. O tratamento ortognático frequentemente envolve uma fase de ortodontia antes da cirurgia, a cirurgia e uma fase posterior de finalização ortodôntica. O tempo total depende da complexidade do caso.


Posso fazer a cirurgia ortognática sem aparelho?

Em casos selecionados, pode ser considerada a estratégia surgery-first. Porém, não é uma opção adequada para todos os pacientes e precisa ser definida a partir do planejamento conjunto entre ortodontista e cirurgião.


A cirurgia ortognática muda o formato do rosto?

Pode mudar. Como os maxilares participam diretamente da estrutura e das proporções faciais, seu reposicionamento pode modificar o perfil, o contorno e outras características da face. Entretanto, o resultado varia conforme os movimentos realizados e a resposta individual dos tecidos.


O planejamento da cirurgia ortognática é um processo muito mais amplo do que escolher “quanto a mandíbula vai para frente ou para trás”. É preciso compreender o rosto, os dentes, os maxilares, a mordida e as funções do paciente como um conjunto.


A partir disso, cirurgião e ortodontista definem os objetivos do tratamento, realizam os exames necessários, preparam os dentes, simulam os movimentos cirúrgicos e estabelecem como essas informações serão transferidas para o procedimento.


Hoje, ferramentas digitais e o planejamento virtual em 3D podem tornar esse processo ainda mais detalhado e personalizado. Mas tecnologia é uma ferramenta: o ponto de partida continua sendo um diagnóstico preciso e um plano individualizado. 


Se você apresenta alteração importante na mordida, mandíbula muito para frente ou para trás, mordida aberta, assimetria facial ou acredita que seu problema possa estar relacionado à posição dos maxilares, o primeiro passo é entender qual é o seu diagnóstico e quais opções de tratamento existem para o seu caso.


Agende uma consulta especializada em cirurgia ortognática em Londrina para realizar uma avaliação individualizada do seu caso.

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