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Dor na face, dor no maxilar, dor na mandíbula: O que pode ser?

12 de out. de 2022
8 min de leitura

Atualizado: 10 de set.




Vira e mexe, quem sente dor na face, dor de dente, dor abaixo dos olhos, dor no queixo ou na mandíbula recorre aos mecanismos de busca ou a perfis de confiança nas redes sociais para tentar entender o que está acontecendo.


Pesquisar pode ser um primeiro passo para compreender melhor os sintomas. O problema é quando essa pesquisa é feita de forma incompleta, a partir de informações fragmentadas ou de fontes pouco confiáveis. Em vez de esclarecer, isso pode gerar ainda mais dúvidas, e, em alguns casos, até atrasar o diagnóstico correto.


Por isso, neste artigo, quero explicar de forma mais abrangente quais condições podem afetar o sistema estomatognático e causar dor.


O sistema estomatognático não envolve apenas dentes e boca. Ele compreende dentes, gengivas (periodonto), mucosa oral, ossos da face, músculos da mastigação, músculos da expressão facial, articulação temporomandibular (ATM), além de estruturas relacionadas à região da cabeça e pescoço.


Todas essas estruturas trabalham de forma integrada em funções como mastigação, deglutição, fala e expressão facial, e também se relacionam com aspectos comportamentais e com a saúde geral.


É justamente por isso que o cirurgião-dentista passa anos estudando não apenas os dentes, mas também a anatomia, a fisiologia e as doenças que podem acometer todo esse sistema.


Por isso, independentemente do que você encontrar em uma pesquisa na internet, mesmo que aquela informação ajude a levantar uma hipótese, não substitua uma consulta com um cirurgião-dentista capacitado e de sua confiança.


Durante a consulta, o profissional poderá ouvir suas queixas, investigar seus sintomas, realizar o exame clínico, conhecer seu histórico de saúde, solicitar exames complementares quando houver indicação e, a partir disso, estabelecer um diagnóstico e propor o tratamento mais adequado.


Sua saúde bucal não deveria ser tratada como um simples “tapa-buracos”, em que cada problema é resolvido isoladamente conforme aparece. Quando entendemos a boca e a face como parte de um sistema integrado à saúde geral, conseguimos pensar não apenas em tratar doenças, mas também em preveni-las e preservar função e qualidade de vida.


O que pode causar dor na mandíbula?

A dor é uma experiência complexa que envolve os tecidos do corpo e a forma como o sistema nervoso processa e modula essas informações.


Por isso, pessoas diferentes podem perceber o mesmo estímulo de maneiras diferentes. A intensidade da dor não depende apenas da quantidade de alteração existente em um tecido, mas também de mecanismos de modulação do sistema nervoso e de diversos fatores individuais.


Isso não significa que a dor seja “apenas psicológica”. Significa que dor e cérebro estão intimamente relacionados.


Na região da mandíbula e da face, praticamente todas as estruturas podem estar envolvidas na origem ou na manutenção de uma dor.

Podemos ter, por exemplo:

  • dentes;

  • periodonto e gengiva;

  • ossos;

  • nervos;

  • vasos sanguíneos;

  • músculos;

  • articulação temporomandibular;

  • estruturas próximas da face, cabeça, pescoço e garganta.


Uma infecção dentária causada por cárie pode provocar inflamação e estimular as estruturas nervosas da polpa do dente, produzindo dor, por exemplo.

Uma infecção na gengiva ou nos tecidos que sustentam um dente também pode provocar inflamação e dor, mas não são apenas infecções que podem causar sintomas.


Na musculatura, nos nervos e nas articulações, além de processos inflamatórios, podem existir fatores mecânicos, comportamentais e funcionais envolvidos.


Alguns exemplos são:

  • roer unhas;

  • mastigar objetos;

  • morder canetas;

  • apertar ou ranger os dentes;

  • apoiar frequentemente a mão no queixo;

  • mastigar predominantemente de um lado;

  • manter os dentes em contato durante o dia;

  • dormir sempre na mesma posição;

  • ausência de dentes e alterações na função mastigatória.


Além disso, uma doença localizada em uma determinada estrutura pode produzir dor percebida em outra região. É o que chamamos de dor referida.

Por isso, uma dor na mandíbula, no ouvido, na região dos olhos ou até no pescoço nem sempre significa que o problema esteja exatamente naquele local.


Mastigar demais pode causar dor na mandíbula?

Uma maneira simples de entender a relação entre músculos e articulações é pensar na academia.


Quando fazemos um exercício com uma carga maior do que aquela a que estamos acostumados, podemos sentir fadiga ou dor muscular. Dependendo da situação, as estruturas articulares envolvidas naquele movimento também podem ser sobrecarregadas.


Algo semelhante pode acontecer com o sistema mastigatório.

A mandíbula realiza milhares de movimentos ao longo do dia. Esses movimentos acontecem principalmente durante a alimentação, mas também podem ocorrer em outros momentos por meio de hábitos e comportamentos.


Quando uma pessoa passa a mastigar chicletes por longos períodos, por exemplo, está adicionando uma quantidade de atividade muscular que não fazia parte da sua rotina habitual.


O mesmo pode acontecer quando existe apertamento dentário, bruxismo ou outros comportamentos repetitivos.


O problema não é mastigar. Mastigar é uma função normal.


A questão é quando existe uma atividade excessiva, repetitiva ou inadequada para aquele indivíduo, principalmente quando ela se associa a sintomas sem tempo de adaptação.

Dependendo do contexto, essa sobrecarga pode contribuir para sintomas musculares e, em alguns casos, para sintomas relacionados à ATM e é justamente por isso que não podemos simplesmente “bater o martelo” diante de uma dor na mandíbula.

Existem muitas variáveis que precisam ser consideradas antes de determinar sua origem.


Qual é a relação entre dor na mandíbula e ansiedade?

Além das questões biológicas e anatômicas, o sistema estomatognático está intimamente relacionado ao sistema nervoso.


Os nervos levam informações provenientes da face e da boca até o sistema nervoso central, onde esses estímulos são processados e modulados. Por isso, a experiência da dor não depende exclusivamente do que está acontecendo no tecido.


Fatores como estresse, ansiedade, depressão, alterações do sono e outros fatores psicológicos e comportamentais podem influenciar a forma como a dor é percebida e mantida.


Imagine uma pessoa que:

  • dorme mal;

  • alimenta-se de forma inadequada;

  • vive sob estresse;

  • trabalha constantemente sob pressão;

  • não tem momentos suficientes de ócio, descanso e lazer;

  • está frequentemente preocupada;

  • mantém hábitos de tensão durante o dia.


Ao observarmos sua saúde bucal e sua face, podemos encontrar não apenas sinais de cansaço, mas também desgastes dentários, tensão muscular, dificuldade para abrir a boca, apertamento dentário e hábitos como roer unhas ou morder objetos.


Isso não significa que a causa de toda DTM seja ansiedade. Há algum tempo já sabemos que as disfunções temporomandibulares e as dores orofaciais são condições multifatoriais, ou seja, diferentes fatores podem participar de seu desenvolvimento e manutenção.


Por isso, a antiga ideia de que DTM seria simplesmente consequência de uma “mordida errada” é insuficiente para explicar todos os casos. Uma pessoa com dentes bem alinhados e uma boa relação oclusal também pode desenvolver DTM e dor orofacial.


Como é a dor na mandíbula?

A característica da dor pode variar bastante conforme sua origem.

Uma dor de origem dentária, por exemplo, pode apresentar características diferentes de uma dor predominantemente muscular ou neuropática.


As dores musculares podem ser percebidas como:

  • dor contínua;

  • sensação de peso;

  • cansaço na face;

  • pressão;

  • dor semelhante à dor de cabeça;

  • sensação de tensão.


Já algumas dores relacionadas aos nervos podem ser descritas como:

  • choques;

  • queimação;

  • pontadas;

  • sensação elétrica;

  • formigamento.


E existe ainda a possibilidade de dor referida, quando o paciente sente dor em uma região diferente daquela onde está localizada a origem do problema.

Por isso, algumas condições da face podem se manifestar como sintomas próximos:

  • ouvido;

  • olhos;

  • garganta;

  • pescoço;

  • têmporas;

  • mandíbula.

É justamente essa variedade que pode tornar o diagnóstico desafiador.


Como tratar a dor na mandíbula?

A melhor maneira de escolher um tratamento eficaz é começar pelo diagnóstico correto.

É bastante comum que pacientes com dores musculares, articulares, cefaleias ou outros sintomas relacionados à região da face tenham passado por diferentes profissionais e tratamentos antes de descobrir a origem do problema.


Quando a causa não é identificada corretamente, é possível tratar apenas o sintoma sem modificar os fatores que estão mantendo o problema.

Por isso, uma consulta completa com um especialista é fundamental.

É preciso compreender:

  • quais são os sintomas;

  • quando começaram;

  • como se comportam;

  • quais fatores pioram ou melhoram a dor;

  • quais hábitos estão presentes;

  • como está o sono;

  • quais medicamentos são utilizados;

  • como está a saúde geral;

  • quais estruturas estão envolvidas.


A partir disso, podem ser indicados exames complementares quando necessários e definido o tratamento. Dependendo da causa, as intervenções podem envolver desde procedimentos odontológicos, como:

  • tratamento de cáries;

  • tratamento periodontal;

  • profilaxia;

  • placas oclusais quando indicadas;

  • terapias para dor muscular;

até o encaminhamento para outras áreas, como:

  • fisioterapia;

  • fonoaudiologia;

  • otorrinolaringologia;

  • psicologia;

  • psiquiatria;

  • neurologia.

Em alguns casos, o tratamento mais eficaz é justamente multidisciplinar.


O que pode causar dor na mandíbula?

Entre as possíveis causas estão:

  • dor de origem dentária;

  • cárie e infecções odontogênicas;

  • doença periodontal;

  • neuralgias, como a neuralgia do trigêmeo;

  • doenças das glândulas salivares;

  • sinusites e outras condições dos seios da face;

  • fraturas dos ossos da face;

  • lesões e doenças da cavidade oral;

  • DTM muscular;

  • DTM articular;

  • bruxismo;

  • sobrecarga muscular;

  • apertamento dentário;

  • dores orofaciais neuropáticas;

  • processos inflamatórios ou infecciosos de estruturas da face, cabeça e pescoço.

Uma lista de sintomas não substitui um diagnóstico.

A mesma sensação pode ter origens completamente diferentes.


O que fazer quando a mandíbula está doendo?

Se a dor for persistente, recorrente, intensa ou estiver acompanhada de outros sintomas, procure um especialista capacitado para avaliar dores orofaciais e condições da região maxilofacial.


Em situações de urgência, especialmente quando há trauma, infecção com aumento importante de volume, dificuldade para respirar ou engolir, sangramento importante ou alteração do estado geral, pode ser necessário procurar atendimento hospitalar, preferencialmente em um serviço com suporte de Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial.


Como é a dor na mandíbula relacionada ao infarto?

A dor relacionada a um infarto pode se manifestar de diferentes formas.

Ela pode envolver o peito e irradiar para:

  • braço;

  • ombro;

  • costas;

  • pescoço;

  • mandíbula.

Pode estar acompanhada de falta de ar, suor frio, náusea, tontura, sensação de pressão ou aperto no peito e mal-estar.

Nem sempre todos esses sintomas estarão presentes.

Por isso, uma dor súbita ou inexplicada na mandíbula, especialmente quando acompanhada de sintomas no peito ou falta de ar, não deve ser atribuída automaticamente a um problema odontológico.

Em caso de suspeita de infarto, procure atendimento médico de emergência imediatamente.


O que pode ser dor perto do ouvido?

A região próxima ao ouvido pode receber dor proveniente de diferentes estruturas.

Entre as possibilidades estão:

  • disfunção temporomandibular (DTM);

  • otite;

  • problemas dentários;

  • inflamações da garganta;

  • doenças das glândulas salivares;

  • neuralgias;

  • outras condições da face e do pescoço.

Por isso, dor perto do ouvido nem sempre significa que o problema esteja no ouvido.

A ATM fica muito próxima ao ouvido, e alterações nessa articulação ou nos músculos relacionados a ela podem produzir sintomas percebidos nessa região.


Quando procurar um cirurgião-dentista?

Você não precisa esperar a dor ficar insuportável para procurar atendimento.

Uma consulta especializada pode ser importante quando existem:

  • dores recorrentes na face;

  • dor na mandíbula;

  • dor ao mastigar;

  • estalos associados a outros sintomas;

  • travamento da mandíbula;

  • dificuldade para abrir a boca;

  • dor próxima ao ouvido;

  • dor de dente;

  • sangramento gengival;

  • dentes quebrados ou desgastados;

  • perda dentária;

  • alterações na mordida;

  • dor sem causa aparente.

Quanto mais informações forem reunidas, maior a possibilidade de compreender o que está acontecendo e escolher uma estratégia adequada.


A saúde bucal não começa quando aparece a dor

Talvez essa seja a principal mensagem deste artigo.

A internet pode ajudar você a entender melhor o que está sentindo, mas ela não consegue substituir uma consulta, um exame clínico e o raciocínio diagnóstico de um profissional capacitado.

Dor na mandíbula pode ser DTM.

Mas também pode ser um dente.

Pode ser um músculo.

Pode ser um nervo.

Pode ser uma infecção.

Pode ser uma condição da região próxima.

E, em situações específicas, pode até ser um sinal de algo que não tem origem odontológica.


Por isso, informação é importante, mas diagnóstico é fundamental.

Cuidar da saúde bucal de forma integrada significa olhar além do dente isoladamente e compreender como dentes, músculos, articulações, nervos, hábitos, sono, comportamento e saúde geral podem estar relacionados.


Se você sente dor na face ou na mandíbula e não sabe exatamente o que está acontecendo, procure ajuda profissional.

Entender a causa é o primeiro passo para escolher o tratamento certo.

Quer investigar a origem da sua dor? Entre em contato pelo WhatsApp e agende sua consulta especializada.

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