Mandíbula quebrada: sintomas e o que fazer
- Dra. Fernanda Schimidt

- 3 de ago.
- 4 min de leitura
Uma pancada forte no rosto durante um acidente, queda, agressão ou prática esportiva pode causar uma fratura de mandíbula. Em alguns casos, a pessoa consegue falar e até abrir a boca, o que faz com que imagine que não seja nada grave.
Mas será que isso significa que a mandíbula não quebrou?
Nem sempre.
Algumas fraturas são evidentes, enquanto outras apresentam sinais mais discretos e podem passar despercebidas nas primeiras horas. O problema é que atrasar o diagnóstico pode aumentar o risco de dor, alterações na mordida, dificuldade para mastigar e complicações na cicatrização.
Neste artigo, você vai entender quais são os sintomas de uma mandíbula quebrada, o que fazer após o trauma e quando procurar um cirurgião bucomaxilofacial.

O que é uma fratura de mandíbula?
A mandíbula é o maior e mais resistente osso da face. Ela é responsável por funções essenciais, como:
mastigação;
fala;
deglutição;
sustentação dos dentes inferiores;
movimentação da articulação temporomandibular (ATM).
Apesar da sua resistência, impactos de alta energia podem provocar fraturas em diferentes regiões do osso.
Quais são as principais causas?
A fratura de mandíbula pode ocorrer após:
acidentes de trânsito;
quedas da própria altura;
acidentes esportivos;
agressões físicas;
acidentes de bicicleta ou motocicleta;
traumas durante atividades de trabalho.
A intensidade do impacto nem sempre determina a gravidade da lesão.
Quais são os sintomas de uma mandíbula quebrada?
Os sinais variam conforme a localização e o tipo da fratura.
Os sintomas mais frequentes incluem:
Dor intensa
Principalmente ao tentar falar, mastigar ou abrir a boca.
Inchaço
O edema costuma surgir rapidamente nas primeiras horas após o trauma.
Alteração na mordida
Um dos sinais mais importantes.
O paciente pode perceber que:
os dentes não encaixam como antes;
um lado toca primeiro;
parece que a mordida "mudou".
Essa alteração merece atenção imediata.
Dificuldade para abrir a boca
Pode ocorrer devido à dor, ao deslocamento da fratura ou ao espasmo muscular.
Mobilidade da mandíbula
Em algumas fraturas, a mandíbula apresenta movimentos anormais.
Sangramento dentro da boca
Especialmente quando existe lesão na mucosa próxima ao local da fratura.
Dormência no queixo ou lábio inferior
Esse sintoma pode indicar comprometimento do nervo alveolar inferior, bastante comum em algumas fraturas mandibulares.
Estalos ou sensação de osso "mexendo"
Alguns pacientes relatam perceber movimentação ao mastigar ou falar.
Posso quebrar a mandíbula e ainda conseguir falar?
Sim.
Esse é um dos motivos pelos quais algumas pessoas demoram para procurar atendimento.
Nem toda fratura impede completamente os movimentos da mandíbula.
Mesmo conseguindo conversar ou abrir parcialmente a boca, ainda pode existir uma fratura que necessita de tratamento.
O que fazer imediatamente após o trauma?
Se houver suspeita de fratura de mandíbula:
interrompa a alimentação até ser avaliado;
evite movimentar excessivamente a mandíbula;
aplique compressas frias na região nas primeiras 24 a 48 horas, se possível;
procure atendimento médico ou odontológico especializado o mais rápido possível.
Caso exista sangramento intenso, dificuldade para respirar ou perda de consciência, o atendimento de urgência deve ser imediato.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico envolve duas etapas.
Avaliação clínica
O cirurgião bucomaxilofacial observa:
assimetria facial;
alterações na mordida;
limitação dos movimentos;
sensibilidade;
presença de mobilidade óssea.
Exames de imagem
A tomografia computadorizada é considerada o exame mais preciso para avaliar fraturas da face.
Ela permite identificar:
localização da fratura;
número de fragmentos;
deslocamentos;
relação com dentes e nervos;
planejamento cirúrgico quando necessário.
Em alguns casos, radiografias também podem ser utilizadas.
Toda mandíbula quebrada precisa de cirurgia?
Não.
O tratamento depende de fatores como:
localização da fratura;
deslocamento dos fragmentos;
estabilidade da mordida;
idade do paciente;
condições gerais de saúde.
Fraturas pouco desviadas podem ser tratadas de forma conservadora em situações selecionadas.
Já fraturas instáveis ou com alteração importante da mordida frequentemente necessitam de redução e fixação com placas e parafusos de titânio.
O que acontece se a fratura não for tratada?
Ignorar uma fratura pode levar a complicações como:
consolidação inadequada do osso;
mordida desalinhada;
dor persistente;
limitação para abrir a boca;
infecção;
dificuldade permanente para mastigar;
necessidade de cirurgias mais complexas no futuro.
Quanto mais precoce for o diagnóstico, maiores costumam ser as chances de recuperação adequada.
Quanto tempo demora a recuperação?
O tempo varia conforme o tipo de fratura e o tratamento realizado.
De forma geral:
o osso inicia o processo de consolidação nas primeiras semanas;
a recuperação funcional acontece progressivamente;
o retorno às atividades depende da evolução clínica e das orientações do cirurgião.
Cada caso deve ser acompanhado individualmente.
Como prevenir fraturas de mandíbula?
Algumas medidas reduzem significativamente o risco:
utilizar cinto de segurança;
usar capacete em motocicletas e bicicletas;
utilizar protetor bucal em esportes de contato;
respeitar normas de segurança no trabalho;
prevenir quedas, principalmente em idosos.
Perguntas frequentes
Posso mastigar se suspeito que quebrei a mandíbula?
Não é recomendado. Movimentar excessivamente a mandíbula pode aumentar a dor e agravar o deslocamento da fratura.
Toda fratura deixa o rosto torto?
Não.
Algumas fraturas são discretas e não provocam deformidade visível.
Posso esperar alguns dias para ver se melhora?
Não.
Após um trauma facial importante, especialmente se houver dor intensa, alteração da mordida, inchaço ou dificuldade para abrir a boca, é importante procurar avaliação o quanto antes.
Qual especialista trata uma mandíbula quebrada?
O profissional responsável pelo diagnóstico e tratamento das fraturas da mandíbula é o cirurgião bucomaxilofacial, especialista em traumatismos da face e cirurgias dos ossos faciais.
Uma mandíbula quebrada nem sempre apresenta sinais óbvios. Dor, alteração da mordida, dificuldade para abrir a boca, dormência no lábio inferior e inchaço após um trauma são sintomas que merecem avaliação especializada.
O diagnóstico precoce permite indicar o tratamento mais adequado, reduzir o risco de complicações e favorecer uma recuperação funcional e estética.
Se você sofreu um trauma na face ou suspeita de uma fratura de mandíbula, procure atendimento especializado com um cirurgião bucomaxilofacial. Uma consulta clínica associada à tomografia computadorizada é fundamental para definir o melhor tratamento para o seu caso.
A Dra Fernanda Schimidt é Cirurgiã Bucomaxilofacial em Londrina e atua no tratamento dos traumas de face e mandíbula.




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