Precisa de enxerto para implante? Entenda quando ele é necessário e quando pode ser evitado
- Dra. Fernanda Schimidt

- 28 de jul.
- 4 min de leitura
Receber a indicação de um implante dentário costuma trazer muitas dúvidas. Uma das mais frequentes é: "Precisa de enxerto para implante?"
A resposta é: depende.
Nem todo paciente que precisa de um implante dentário precisa de enxerto. A necessidade desse procedimento depende principalmente da quantidade e da qualidade do osso disponível para receber o implante.
Neste artigo, você vai entender quando o enxerto é indicado, por que ele pode ser necessário e como é feita essa avaliação, tudo com base nas evidências científicas mais atuais.

O que é o enxerto ósseo?
O enxerto ósseo é um procedimento realizado para aumentar o volume ou melhorar a qualidade do osso onde será instalado o implante dentário.
O objetivo é criar uma base estável para que o implante tenha suporte adequado durante a cicatrização e ao longo dos anos.
Pense no implante como a fundação de uma casa.
Se o terreno não oferece sustentação suficiente, primeiro é preciso reforçá-lo. Só depois é seguro construir.
Da mesma forma, quando há pouca quantidade de osso, o enxerto pode ser a etapa necessária antes ou durante a instalação do implante.
Todo paciente precisa de enxerto para implante?
Não. Esse é um dos maiores mitos sobre implantes dentários.
Muitos pacientes possuem quantidade óssea suficiente para receber o implante diretamente, sem necessidade de qualquer enxerto.
A indicação depende da avaliação individual e não do número de dentes perdidos.
É perfeitamente possível que duas pessoas que perderam o mesmo dente tenham tratamentos completamente diferentes.
Por que algumas pessoas perdem osso?
Após a perda de um dente, o organismo entende que aquele osso não está mais recebendo função.
Com o passar do tempo, ocorre um processo natural chamado reabsorção óssea, no qual o volume do osso diminui progressivamente.
Essa perda costuma ser mais intensa nos primeiros meses após a extração, mas pode continuar lentamente ao longo dos anos.
Além disso, fatores como:
doença periodontal;
infecções;
traumas;
tabagismo;
uso prolongado de próteses removíveis;
também podem acelerar essa perda óssea.
Quando o enxerto costuma ser indicado?
O enxerto pode ser recomendado quando:
Existe pouca espessura óssea - precisa de enxerto para implante?
Mesmo que a altura do osso seja suficiente, ele pode ser muito fino para acomodar o implante com segurança.
Falta altura óssea
Em algumas regiões, principalmente na parte posterior da maxila, a altura do osso pode ser insuficiente devido à proximidade do seio maxilar.
Nesses casos, pode ser necessário realizar procedimentos específicos, como a elevação do seio maxilar, quando indicada.
Houve perda óssea por doença periodontal
Pacientes que perderam dentes devido à doença periodontal frequentemente apresentam redução importante do suporte ósseo.
Dependendo do caso, o enxerto pode fazer parte do planejamento da reabilitação.
Após traumas ou infecções
Fraturas faciais, infecções ou grandes lesões podem causar perda de tecido ósseo.
Nessas situações, o enxerto ajuda a reconstruir a região antes da instalação do implante.
É possível evitar o enxerto?
Em muitos casos, sim.
Quando o dente precisa ser extraído, um planejamento adequado pode ajudar a preservar o osso.
Entre as estratégias utilizadas estão:
técnicas cirúrgicas minimamente traumáticas;
preservação do alvéolo após a extração (alveolar ridge preservation), quando indicada;
instalação imediata do implante em casos selecionados.
Essas abordagens não eliminam completamente o risco de perda óssea, mas podem reduzir a necessidade de procedimentos reconstrutivos futuros.
Quais materiais podem ser utilizados?
Atualmente existem diferentes tipos de enxertos, e a escolha depende de cada situação clínica.
Entre eles estão:
enxerto do próprio paciente (autógeno);
enxertos de origem humana processados (alógenos);
enxertos de origem animal devidamente tratados (xenógenos);
biomateriais sintéticos.
A escolha leva em consideração fatores como o defeito ósseo, o planejamento protético e as características individuais do paciente.
O enxerto dói?
Essa é uma preocupação muito comum.
Assim como a cirurgia de implante, o procedimento é realizado sob anestesia local e, quando indicado, pode ser associado à sedação.
Após a cirurgia, pode ocorrer:
leve inchaço;
sensibilidade;
pequeno desconforto nos primeiros dias.
Na maioria dos casos, esses sintomas são controlados com a medicação prescrita e tendem a diminuir conforme ocorre a cicatrização.
Como saber se eu preciso de enxerto?
A resposta não pode ser dada apenas olhando para a boca.
O planejamento depende de:
exame clínico;
radiografias;
principalmente da tomografia computadorizada.
A tomografia permite avaliar em três dimensões:
altura do osso;
espessura;
qualidade óssea;
proximidade de estruturas anatômicas importantes.
É esse exame que permite definir se o implante pode ser instalado diretamente ou se será necessário reconstruir a região antes.
O enxerto aumenta as chances de sucesso do implante?
Quando bem indicado, sim.
O objetivo do enxerto não é tornar a cirurgia mais complexa, mas criar condições favoráveis para que o implante seja instalado em uma posição adequada, com estabilidade e bom suporte ósseo.
O sucesso do tratamento depende de diversos fatores, incluindo um planejamento criterioso, técnica cirúrgica, controle das condições de saúde do paciente e manutenção adequada após a reabilitação.
Perguntas frequentes
Quem perdeu um dente há muitos anos sempre precisa de enxerto?
Não necessariamente.
Embora a perda óssea aumente com o tempo, alguns pacientes ainda apresentam quantidade suficiente de osso para receber implantes sem enxerto.
Posso colocar implante e enxerto na mesma cirurgia?
Em muitos casos, sim.
Dependendo da estabilidade inicial do implante e das características do defeito ósseo, ambos os procedimentos podem ser realizados no mesmo momento.
O enxerto é definitivo?
O enxerto funciona como uma estrutura que será incorporada e remodelada pelo organismo durante a cicatrização.
O comportamento varia conforme o tipo de material utilizado e as características individuais do paciente.
Só a tomografia consegue mostrar isso?
A tomografia é o exame mais preciso para avaliar o volume ósseo disponível e planejar a cirurgia com segurança.
Nem todo paciente que precisa de um implante dentário precisa de enxerto ósseo. A necessidade desse procedimento depende da quantidade e da qualidade do osso disponível, fatores que só podem ser avaliados por meio de um planejamento individualizado.
Quando indicado, o enxerto não representa um obstáculo, mas uma etapa importante para proporcionar mais segurança, estabilidade e previsibilidade ao tratamento.
Se você perdeu um ou mais dentes e deseja saber qual é a melhor opção para o seu caso, agende uma consulta especializada com a Dra. Fernanda Schimidt, cirurgiã bucomaxilofacial em Londrina. Com exame clínico e tomografia computadorizada, é possível planejar seu tratamento de forma personalizada e baseada nas evidências científicas mais atuais.




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