Quais são os riscos da cirurgia do siso?
- Dra. Fernanda Schimidt

- há 3 dias
- 4 min de leitura
A cirurgia para remover os dentes do siso é um dos procedimentos mais realizados na Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial. Ainda assim, é natural que muitos pacientes tenham dúvidas e receios antes da cirurgia.
Uma das perguntas mais frequentes é: "Quais são os riscos da cirurgia do siso?"
A resposta é simples: como qualquer procedimento cirúrgico, a remoção do siso envolve riscos e possíveis complicações. A boa notícia é que, quando há um planejamento adequado, uma avaliação criteriosa e o procedimento é realizado por um profissional habilitado, a maioria das cirurgias ocorre de forma segura e com boa recuperação.
Neste artigo, você vai entender quais são os principais riscos, quais complicações podem ocorrer e como elas podem ser reduzidas.

Toda cirurgia do siso tem riscos?
Sim.
Toda cirurgia apresenta riscos inerentes ao procedimento, mesmo quando realizada com toda a técnica e planejamento.
Entretanto, isso não significa que essas complicações irão acontecer.
O objetivo da avaliação pré-operatória é justamente identificar fatores que possam aumentar o risco e planejar a cirurgia da forma mais segura possível.
O planejamento faz toda a diferença
Antes da cirurgia, o cirurgião bucomaxilofacial realiza uma avaliação completa que inclui:
exame clínico;
análise da posição do siso;
avaliação da abertura da boca;
condições da gengiva;
proximidade com estruturas importantes;
radiografia panorâmica;
tomografia computadorizada quando indicada.
Em muitos casos, a tomografia permite visualizar a relação entre as raízes do siso e o nervo alveolar inferior, reduzindo incertezas no planejamento.
Quais são os principais riscos da cirurgia do siso?
Inchaço
O edema é uma resposta natural do organismo à cirurgia.
Geralmente, aumenta nas primeiras 48 a 72 horas e diminui progressivamente nos dias seguintes.
O uso correto das medicações prescritas, compressas frias nas primeiras 24 a 48 horas (quando orientadas) e o repouso ajudam a controlar esse processo.
Dor
É esperado algum desconforto após a cirurgia.
Na maioria dos casos, a dor é controlada com os medicamentos prescritos e tende a diminuir progressivamente durante a recuperação.
Sangramento
Um pequeno sangramento nas primeiras horas após a cirurgia costuma ser esperado.
Já sangramentos intensos ou persistentes devem ser comunicados ao cirurgião para avaliação.
Seguir corretamente as orientações do pós-operatório reduz esse risco.
Infecção
Embora seja incomum, pode ocorrer.
O risco diminui quando o paciente mantém uma boa higiene bucal, segue corretamente as orientações e comparece às consultas de acompanhamento.
Sinais como aumento progressivo da dor após alguns dias, saída de secreção com odor desagradável ou febre devem ser avaliados.
Alveolite
A alveolite é uma complicação em que o coágulo responsável pela cicatrização do alvéolo se perde ou não se mantém adequadamente.
Ela costuma provocar dor intensa alguns dias após a cirurgia.
Fatores como tabagismo, higiene inadequada e não seguir as recomendações do pós-operatório podem aumentar esse risco.
Limitação para abrir a boca
Após procedimentos mais complexos, alguns pacientes podem apresentar dificuldade temporária para abrir completamente a boca.
Essa limitação geralmente melhora à medida que a inflamação diminui.
Lesão do nervo
Essa é uma das complicações que mais preocupam os pacientes.
Nos sisos inferiores, principalmente quando as raízes estão muito próximas do nervo alveolar inferior, pode ocorrer alteração temporária da sensibilidade do lábio, queixo ou dentes inferiores.
Na maioria dos casos em que isso acontece, a recuperação ocorre ao longo do tempo, embora a duração possa variar conforme o caso. Em situações menos frequentes, a alteração pode persistir.
Por isso, quando há suspeita de proximidade entre as raízes e o nervo, a tomografia computadorizada pode ser indicada para auxiliar no planejamento cirúrgico.
Comunicação com o seio maxilar - riscos da cirurgia do siso
Nos sisos superiores, quando as raízes estão muito próximas do seio maxilar, pode ocorrer uma comunicação entre a boca e essa cavidade.
Essa situação é incomum e, quando acontece, o tratamento depende do tamanho da comunicação e da avaliação clínica.
Quem tem maior risco de complicações?
Alguns fatores podem aumentar a complexidade da cirurgia, como:
idade mais avançada;
sisos totalmente inclusos;
raízes próximas ao nervo;
dentes localizados profundamente no osso;
tabagismo;
doenças sistêmicas não controladas;
higiene bucal inadequada.
Isso não significa que haverá complicações, apenas que o planejamento precisa ser ainda mais cuidadoso.
Como diminuir os riscos da cirurgia?
Algumas medidas ajudam a tornar o procedimento mais seguro:
realizar todos os exames solicitados;
informar ao profissional sobre doenças e medicamentos em uso;
seguir corretamente as orientações pré e pós-operatórias;
evitar fumar durante o período recomendado;
manter boa higiene bucal;
comparecer às consultas de retorno.
O risco de não remover o siso pode ser maior?
Em alguns pacientes, sim.
Quando existe indicação para a remoção, manter o siso pode favorecer problemas como:
infecções recorrentes (pericoronarite);
dor;
cárie no siso ou no dente vizinho;
doença periodontal;
reabsorção da raiz do segundo molar;
formação de cistos associados ao dente incluso.
A decisão de remover ou acompanhar o siso deve ser individualizada, considerando os benefícios e os riscos de cada situação.
A cirurgia do siso é segura?
Na grande maioria dos casos, sim.
Quando o procedimento é bem indicado, planejado e realizado por um cirurgião bucomaxilofacial, as complicações graves são incomuns.
Além da técnica cirúrgica, a colaboração do paciente no pós-operatório é um fator importante para uma boa recuperação.
Perguntas frequentes
Posso ficar com o rosto dormente para sempre?
A alteração de sensibilidade permanente é uma complicação rara. Quando há proximidade entre o siso e o nervo, o cirurgião avalia esse risco previamente e discute as opções de tratamento com o paciente.
Todo mundo precisa fazer tomografia antes da cirurgia?
Não.
A tomografia é indicada em casos específicos, principalmente quando a radiografia panorâmica sugere proximidade entre as raízes e estruturas anatômicas importantes ou quando ela pode influenciar o planejamento cirúrgico.
A cirurgia é mais difícil em adultos?
Em geral, pode ser mais complexa porque os ossos costumam ser mais densos e as raízes estão completamente formadas. Isso reforça a importância de uma avaliação individual.
A cirurgia do siso é um procedimento seguro quando existe uma indicação correta, planejamento cuidadoso e acompanhamento adequado.
Conhecer os riscos não deve gerar medo, mas permitir que o paciente tome decisões informadas e participe ativamente do seu tratamento.
Se você mora em Londrina e deseja saber se o seu siso precisa ser removido ou quer entender quais são os riscos e benefícios da cirurgia no seu caso, agende uma consulta com a Dra. Fernanda Schimidt, cirurgiã bucomaxilofacial. Uma avaliação individualizada é a melhor forma de planejar um tratamento seguro e adequado às suas necessidades.




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