Quando remover o siso preventivamente? Entenda quando a remoção antes dos sintomas é indicada
- Dra. Fernanda Schimidt

- 24 de jul.
- 5 min de leitura
Os dentes do siso são motivo de muitas dúvidas. Uma das perguntas mais frequentes no consultório é: "Se meu siso não dói, preciso mesmo tirar?"
A resposta é: nem sempre, mas quase sempre.
Embora muitas pessoas associem a cirurgia apenas à presença de dor, existem situações em que a remoção preventiva do siso é recomendada para evitar complicações futuras e dificuldades na cirurgia inerente à idade avançada.
Neste artigo, você entenderá quando vale a pena remover o siso antes que ele cause problemas, quais são os benefícios dessa abordagem e por que a decisão deve ser baseada em uma avaliação individualizada.

O que significa remover o siso preventivamente?
A remoção preventiva é a extração do terceiro molar antes que ele provoque sintomas ou complicações. Isso não significa que todos os sisos devam ser removidos. Significa que caso seus sisos estejam em uma posição inadequada pela falta de espaço na arcada dentária, podendo causar danos aos dentes vizinhos e a ele mesmo, é recomendada a extração.
A decisão depende de fatores como:
posição do dente;
espaço disponível na arcada;
relação com estruturas anatômicas importantes;
risco de doenças futuras;
idade do paciente;
planejamento odontológico.
Por isso, cada caso deve ser avaliado individualmente.
Veja nesse vídeo uma explicação detalhada: https://vt.tiktok.com/ZSX7S4YDn/
Todo mundo precisa remover os dentes do siso?
Não, mas a maioria das pessoas sim.
Essa é uma dos maiores confusões da Odontologia. Alguns dentistas condenam a remoção dos sisos mesmo inclusos em idade mais jovem, sem levar em consideração os problemas a longo prazo que eles podem causar. Todavida, existem pacientes cujos sisos:
nasceram completamente;
estão em posição adequada;
participam da mastigação;
conseguem ser higienizados corretamente;
não apresentam doenças e têm o antagonista.
Nessas situações, muitas vezes o acompanhamento periódico como os demais dentes é suficiente.
Por outro lado, alguns dentes apresentam um risco elevado de desenvolver problemas ao longo dos anos, mesmo sem provocar dor no momento. Dentes inclusos, mesmo não visíveis na boca, precisam de acompanhamento radiográfico anual pois podem reabsorver raízes ou sofrerem alterações genéticas que levam a patologias ósseas.
Quando a remoção preventiva costuma ser indicada?
Quando não existe espaço para o siso nascer
Essa é uma das situações mais frequentes.
Sem espaço suficiente, o siso pode permanecer:
totalmente incluso;
parcialmente incluso;
inclinado;
pressionando o segundo molar.
Essa posição favorece inflamações e outras complicações.
Quando o siso fica parcialmente coberto pela gengiva
Quando apenas parte do dente consegue nascer, cria-se um espaço entre o dente e a gengiva que facilita o acúmulo de bactérias.
Isso aumenta o risco de:
pericoronarite (inflamação ao redor do siso);
dor;
inchaço;
dificuldade para abrir a boca;
infecções recorrentes.
Mesmo que o paciente ainda não tenha apresentado crises, esse cenário pode justificar uma abordagem preventiva.
Quando existe risco para o dente vizinho
Um siso inclinado pode pressionar o segundo molar.
Dependendo da posição, isso pode favorecer:
cárie entre os dentes;
perda óssea localizada;
doença periodontal;
reabsorção da raiz do dente vizinho, uma complicação menos comum, porém importante.
Nesses casos, remover o siso pode significar proteger um dente saudável.
Quando há alterações detectadas na radiografia
Durante exames de rotina, podem ser identificadas alterações como:
cistos;
aumento do folículo pericoronário;
reabsorções;
outras alterações ósseas.
Embora nem todas exijam urgência, algumas justificam a remoção preventiva.
Antes de determinados tratamentos odontológicos
Em algumas situações, a remoção do siso pode fazer parte do planejamento de outros tratamentos, como:
ortodontia;
cirurgia ortognática;
reabilitações orais complexas.
Cada caso deve ser analisado pelo cirurgião bucomaxilofacial em conjunto com os demais profissionais envolvidos.
Existe uma idade melhor para remover o siso?
De modo geral, adultos jovens (dos 16 aos 26 anos) costumam apresentar uma recuperação mais rápida, especialmente quando as raízes ainda não estão completamente formadas.
Além disso, nessa fase:
o osso costuma ser menos denso;
a cicatrização tende a ser mais favorável;
algumas complicações cirúrgicas podem ser menos frequentes.
Isso não significa que pessoas mais velhas não possam realizar a cirurgia. Apenas reforça a importância de uma avaliação precoce quando há indicação.
Esperar a dor aparecer é uma boa estratégia?
Não.
A dor costuma surgir quando algum problema já está acontecendo há um bom tempo, como:
inflamação;
infecção;
lesão no dente vizinho;
dificuldade de higienização.
Em muitos casos, remover o siso de forma planejada é mais simples do que realizar uma cirurgia durante um quadro agudo de infecção.
Por isso, a decisão não deve ser baseada apenas na presença ou ausência de dor.
Quais são as vantagens da remoção preventiva?
Quando bem indicada, a cirurgia pode ajudar a prevenir:
episódios recorrentes de inflamação;
infecções;
cáries no segundo molar;
perda óssea ao redor do dente vizinho;
necessidade de uma cirurgia em condições menos favoráveis no futuro.
Entretanto, isso não significa que toda pessoa deva remover os sisos sem uma consulta especializada antes.
O equilíbrio entre riscos e benefícios deve ser analisado individualmente.
Como saber se o meu siso precisa ser removido?
A decisão é tomada após um exame clínico e, quando necessário, exames de imagem, como a radiografia panorâmica ou a tomografia computadorizada.
O objetivo é responder perguntas como:
Existe espaço suficiente?
O dente está em uma posição favorável?
Há risco para o segundo molar?
Existe alguma alteração óssea?
O paciente consegue higienizar adequadamente a região?
Essas informações permitem definir se o melhor caminho é acompanhar ou indicar a cirurgia.
Perguntas frequentes
Meu siso nunca doeu. Posso deixá-lo?
Talvez. Se ele estiver saudável, em posição adequada e sem risco para estruturas vizinhas a longo prazo, o acompanhamento pode ser suficiente.
Quando é melhor remover o siso? Antes dos sintomas?
Quando existe indicação clínica, sim.
Realizar a cirurgia de forma planejada costuma ser mais confortável do que esperar uma crise de dor ou infecção.
O siso incluso sempre precisa ser removido?
Não. Nem todo dente incluso necessita de cirurgia, porém todos precisam ser acompanhados clínica e radiograficamente.A indicação depende da posição do dente, dos riscos envolvidos e da avaliação clínica e radiográfica.
Posso descobrir isso apenas olhando no espelho?
Não. Muitos sisos permanecem totalmente dentro do osso ou escondidos sob a gengiva. Por isso, o exame clínico e exames de imagem são fundamentais para uma avaliação completa.
A remoção preventiva do siso não é indicada para todos os pacientes, mas pode ser a melhor escolha a longo prazo. Mais importante do que esperar a dor aparecer é entender se aquele dente representa um risco para a sua saúde bucal no futuro.
Uma consulta especializada permite identificar essas situações e definir a melhor conduta para cada caso, evitando tanto cirurgias desnecessárias quanto complicações que poderiam ser prevenidas.
Se você mora em Londrina e deseja saber se seus dentes do siso precisam ser removidos, agende uma consulta com a Dra. Fernanda Schimidt, cirurgiã bucomaxilofacial. Com exame clínico e exames de imagem, é possível elaborar um plano de tratamento individualizado, baseado em evidências científicas e nas necessidades do seu caso.




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