Fratura de côndilo mandibular em crianças: o que fazer?
- Dra. Fernanda Schimidt

- 9 de jan.
- 3 min de leitura
Quedas, acidentes domésticos, brincadeiras, esportes e até pequenos traumas podem causar fraturas na face de crianças. Entre elas, a fratura de côndilo mandibular merece atenção especial, pois envolve a região responsável pelo crescimento da mandíbula.
Quando esse tipo de fratura acontece, é comum surgirem dúvidas e medo nos pais
👉 Precisa de cirurgia?
👉 Vai afetar o crescimento do rosto?
👉 Meu filho vai ficar com sequelas?
A boa notícia é que, na maioria dos casos, o prognóstico é muito bom quando o diagnóstico e o acompanhamento são adequados.
O que é o côndilo mandibular?
O côndilo é a parte superior da mandíbula que se articula com o osso do crânio, formando a articulação temporomandibular (ATM). Em crianças, essa região é especialmente importante porque funciona como um centro de crescimento da mandíbula.
Por isso, qualquer trauma nessa área precisa ser avaliado com cuidado.

Como a fratura de côndilo mandibular acontece em crianças?
As causas mais comuns incluem:
Quedas da própria altura
Quedas de bicicleta, patinete ou playground
Acidentes domésticos
Traumas esportivos
Acidentes de trânsito
Diferente dos adultos, o osso da criança é mais flexível, o que faz com que muitas fraturas sejam incompletas ou pouco desviadas.
Principais sinais e sintomas
Nem sempre a fratura de côndilo é óbvia logo após o trauma.
Os sinais mais comuns são:
Dor na região do ouvido ou da mandíbula
Dificuldade ou dor para abrir a boca
Desvio da mandíbula ao abrir
Mordida “diferente” após o acidente
Inchaço próximo ao ouvido
Choro ou recusa alimentar em crianças pequenas
⚠️ Importante: dor de ouvido após uma queda pode não ser otite, pode ser uma fratura condilar.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico envolve:
Avaliação clínica detalhada
Análise da mordida
Avaliação dos movimentos da mandíbula
Exames de imagem, como:
Radiografia panorâmica
Tomografia computadorizada (quando necessário)
O acompanhamento por um cirurgião bucomaxilofacial é fundamental.
Fratura de côndilo em crianças: precisa de cirurgia?
Na maioria dos casos, não.
Diferente dos adultos, crianças têm grande capacidade de adaptação e remodelação óssea. Por isso, o tratamento costuma ser conservador, incluindo:
Analgésicos e anti-inflamatórios
Dieta macia temporária
Fisioterapia funcional da mandíbula
Acompanhamento clínico e radiográfico
A cirurgia é reservada para casos específicos, como:
Desvios importantes
Limitação funcional grave
Comprometimento bilateral com perda de altura mandibular
Falha do tratamento conservador
O crescimento do rosto pode ser afetado?
Essa é a maior preocupação dos pais, e uma preocupação válida.
Quando bem acompanhada, a maioria das crianças não apresenta alterações significativas de crescimento. Porém, fraturas não diagnosticadas ou sem acompanhamento podem, em alguns casos, levar a:
Assimetrias faciais
Alterações na mordida
Limitação de movimento
Problemas futuros na ATM
Por isso, o seguimento a médio e longo prazo é essencial.
Quanto tempo dura o acompanhamento?
O acompanhamento pode durar meses ou até alguns anos, dependendo da idade da criança e do tipo de fratura. O objetivo é garantir:
Crescimento facial equilibrado
Função adequada da mandíbula
Ausência de dor ou limitação
Quando procurar ajuda especializada?
Procure um cirurgião bucomaxilofacial se a criança:
Sofreu trauma no rosto ou queixo
Passou a reclamar de dor ao mastigar
Apresentou mudança na mordida após queda
Não consegue abrir a boca normalmente
Quanto mais cedo a avaliação, melhor o prognóstico.
A fratura de côndilo mandibular em crianças assusta, mas raramente é uma sentença grave quando bem conduzida. Com diagnóstico precoce, tratamento adequado e acompanhamento correto, a grande maioria das crianças evolui muito bem, sem prejuízo funcional ou estético.
O mais importante é não ignorar os sinais e buscar avaliação especializada.





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