top of page

O que acontece se não tirar o siso? Entenda os riscos e quando a extração é necessária

há 6 minutos
8 min de leitura

Não tirar o siso nem sempre é um problema, mas ignorar um siso que precisa de tratamento pode trazer consequências para a sua saúde bucal.

Se você tem um ou mais sisos e está adiando a extração por medo da cirurgia, falta de tempo ou porque não sente dor, provavelmente já se perguntou: será que preciso mesmo tirar esses dentes?


A resposta depende de cada caso.

Alguns sisos nascem corretamente, ficam em uma posição funcional e podem permanecer na boca sem causar problemas. Outros ficam parcialmente cobertos pela gengiva, nascem em uma posição desfavorável ou permanecem inclusos no osso, podendo favorecer inflamações, cáries, doenças gengivais e danos aos dentes vizinhos.


Por isso, não sentir dor não significa necessariamente que o siso esteja saudável, e ter um siso incluso não significa, automaticamente, que ele precise ser removido.


A decisão deve considerar a posição do dente, a presença de alterações clínicas ou radiográficas, os riscos futuros, a idade e as condições individuais do paciente.


Neste artigo, você vai entender o que pode acontecer se não tirar o siso, quando é possível mantê-lo e quais sinais indicam que está na hora de procurar um cirurgião bucomaxilofacial.


O que pode acontecer se eu não tirar o siso?

Quando um terceiro molar apresenta indicação de extração e o tratamento é adiado, alguns problemas podem surgir ou progredir. Entre os principais estão:


  • Inflamação da gengiva ao redor do siso, chamada pericoronarite.

  • Cárie no próprio siso ou no segundo molar, o dente localizado à sua frente.

  • Doença periodontal, com comprometimento dos tecidos que sustentam os dentes adjacentes.

  • Dor, inchaço e dificuldade para abrir a boca em casos de inflamação ou infecção.

  • Danos às estruturas do dente vizinho, incluindo reabsorção radicular em determinadas situações.

  • Desenvolvimento de cistos ou outras alterações patológicas associadas ao dente incluso, embora sejam situações menos frequentes.


Essas complicações não acontecem com todas as pessoas. O risco depende da posição do siso, das condições de higiene, da anatomia local e de outros fatores clínicos.


O ponto principal é que um siso pode permanecer sem sintomas por algum tempo e, ainda assim, apresentar alterações que merecem investigação. Por isso, a avaliação clínica em consulta e os exames de imagem são importantes para definir a melhor conduta.


o que acontee se não tirar o siso

1. O siso pode inflamar e causar dor?

Sim. Uma das complicações mais conhecidas é a pericoronarite, uma inflamação dos tecidos ao redor de um dente que está erupcionando parcialmente.


Quando apenas uma parte do siso aparece na boca, pode ficar uma região de difícil higienização sob a gengiva. Restos alimentares e biofilme podem se acumular nesse local, favorecendo a inflamação.


Os sintomas podem incluir:

  • Dor no fundo da boca.

  • Gengiva inchada e avermelhada.

  • Mau gosto ou mau hálito.

  • Desconforto para mastigar.

  • Dificuldade para abrir a boca.

  • Em quadros mais intensos, febre e inchaço facial.


Em alguns casos, os sintomas melhoram, mas isso não significa necessariamente que a causa tenha sido eliminada. A necessidade de extração dependerá da gravidade, da recorrência e das condições do dente.


Se a dor e o inchaço voltam repetidamente, não é uma boa estratégia simplesmente esperar a próxima crise. É importante investigar a origem do problema e discutir o tratamento adequado.


Se houver dificuldade para respirar ou engolir, inchaço que se espalha pelo rosto ou pescoço ou piora rápida do quadro, procure atendimento de urgência.


2. O siso pode estragar o dente que está ao lado?


Sim. O segundo molar, localizado imediatamente à frente do siso, pode ser prejudicado dependendo da posição do terceiro molar e da dificuldade de higienização da região.


Quando o siso está inclinado ou parcialmente erupcionado, pode criar uma área de retenção de biofilme e alimentos entre os dois dentes. Isso pode aumentar o risco de cárie na face posterior do segundo molar e de comprometimento periodontal.


Em situações específicas, a pressão e o contato entre as estruturas dentárias podem estar associados à reabsorção da raiz do dente vizinho.


O aspecto mais importante é que o segundo molar é um dente funcional, essencial para a mastigação. Por isso, o planejamento não deve considerar apenas se o siso está causando desconforto, mas também se sua permanência representa risco para o dente que está à frente.


Às vezes, o dente que precisa de atenção não é apenas o siso, mas também aquele que ele pode estar comprometendo.


3. Um siso incluso pode formar um cisto?

Sim, embora isso não seja o desfecho mais comum.

Um siso incluso é aquele que não conseguiu erupcionar completamente e permanece total ou parcialmente retido no osso ou sob a gengiva.


Em alguns casos, podem ocorrer alterações patológicas nos tecidos associados ao dente, incluindo cistos odontogênicos. Algumas dessas alterações podem crescer sem provocar sintomas evidentes no início.


Isso não significa que todo siso incluso vá formar um cisto, nem que todo dente incluso precise ser extraído imediatamente. A consulta deve considerar a posição do dente, os tecidos ao redor, os achados radiográficos e o risco individual. Quando há suspeita de uma alteração patológica, a investigação e a conduta precisam ser definidas pelo profissional responsável.


4. Se o siso não dói, posso deixá-lo na boca?

Em alguns casos, sim. Em outros, não é a melhor decisão.


Um siso pode estar completamente erupcionado, em boa posição, participar adequadamente da mastigação, permitir uma higiene eficiente e não apresentar sinais de doença. Nessas condições, pode ser possível mantê-lo.


Por outro lado, um siso sem dor pode apresentar cárie, perda óssea, comprometimento periodontal ou alterações identificadas em exames de imagem.


Por isso, a decisão não deve ser baseada apenas na presença ou ausência de sintomas.

A diretriz da American Association of Oral and Maxillofacial Surgeons (AAOMS) recomenda que a conduta seja definida a partir da história clínica, do exame físico, dos exames de imagem, dos riscos de manter o dente e dos riscos da cirurgia. Quando não há doença nem risco significativo identificado, o acompanhamento clínico e radiográfico pode ser uma alternativa apropriada.


A diretriz clínica da SECIB, publicada em 2024, também recomenda acompanhamento ativo e prolongado para determinados sisos inclusos e assintomáticos mantidos na boca. Em outras palavras: não extrair pode ser uma decisão adequada, desde que exista uma justificativa clínica e um plano de acompanhamento.


5. O siso pode entortar os outros dentes?

Essa é uma das crenças mais comuns sobre os terceiros molares.

A presença do siso não significa, por si só, que os dentes da frente ficarão tortos. As evidências disponíveis não sustentam a extração rotineira de todos os sisos com a finalidade exclusiva de prevenir o apinhamento dos dentes anteriores.


O alinhamento dentário pode sofrer influência de diversos fatores, e a decisão sobre o siso deve considerar suas condições específicas, não apenas a possibilidade de os dentes ficarem desalinhados.


Todavia, os sisos podem receber a indicação de extração para liberar espaço posterior e auxiliar no tratamento com aparelhos. Portanto, você pode receber a recomendação de extrair os sisos em caso de necessidade ortodôntica e não ser necessariamente para evitar apinhamentos.


6. Existe uma idade certa para tirar o siso?

Não existe uma idade única em que todas as pessoas precisam extrair os sisos.

Esses dentes geralmente se desenvolvem e erupcionam no fim da adolescência e no início da vida adulta, mas a posição, a formação das raízes e as condições clínicas variam de pessoa para pessoa.


A idade é um dos fatores considerados no planejamento. Em adultos mais velhos, a cirurgia pode apresentar maior dificuldade em determinadas situações, e os riscos de complicações precisam ser avaliados individualmente.

Isso não significa que todo jovem deva retirar os sisos preventivamente, nem que a extração seja impossível ou inadequada em pessoas mais velhas.


Todavia, o melhor momento depende da indicação clínica, da anatomia, dos riscos de manter o dente e dos riscos de removê-lo, que são menores na adolescência e em adultos jovens. O objetivo não é operar o mais cedo possível. É tomar uma decisão bem fundamentada no momento adequado para cada caso.


7. É mais perigoso esperar o siso doer para procurar atendimento?

Esperar a dor aparecer não é a melhor estratégia.

Algumas alterações associadas aos sisos podem evoluir sem sintomas importantes e na presença de sintomas já estarem graves. Além disso, quando há uma infecção ou inflamação aguda, pode ser necessário controlar o quadro antes de realizar o tratamento definitivo.


Por isso, se você sabe que tem sisos inclusos ou recebeu uma recomendação de extração, vale esclarecer o motivo da indicação e entender quais são os riscos de acompanhar ou adiar o procedimento.


Isso não significa que toda pessoa que adia a extração terá complicações. Significa que a decisão deve ser tomada com informação suficiente, sem depender exclusivamente da dor como sinal de alerta.


Como saber se preciso tirar o siso?

A consulta começa com a história clínica e o exame da boca. O profissional verifica a posição do dente, sua erupção, as condições da gengiva, a possibilidade de higienização e a presença de sinais de doença.


Depois, avalia musculatura, articulação, abertura bucal, condições essenciais para realizar a cirurgia. Os exames de imagem, como a radiografia panorâmica quando indicada, ajudam a avaliar a posição do siso, suas raízes, o segundo molar e a relação com estruturas anatômicas importantes como o canal da mandíbula, nervos e vasos.


Em situações específicas, exames complementares podem ser necessários para esclarecer dúvidas que influenciem o planejamento, como tomografias computadorizadas.


Com essas informações, o cirurgião pode discutir as opções, que incluem:

  • Extração: quando há indicação clínica ou risco relevante que justifique a remoção.

  • Acompanhamento: quando é possível manter o dente com segurança, mediante controles clínicos e radiográficos apropriados.

  • Investigação complementar: quando ainda é necessário esclarecer algum achado antes de decidir.


A indicação deve considerar tanto os riscos de manter o siso quanto os riscos e benefícios da cirurgia. Nenhuma dessas opções deve ser escolhida apenas por hábito ou por uma regra válida para todos.


O que fazer se o siso estiver inflamado agora?

Se você está com dor ou inchaço na região do siso, procure atendimento odontológico para identificar a causa e receber orientação individualizada.


Até ser avaliado:

  • Mantenha a higiene da região com cuidado, sem traumatizar a gengiva.

  • Evite manipular o local ou tentar remover algo preso sob a gengiva com objetos.

  • Não use antibióticos por conta própria ou sobras de tratamentos anteriores.

  • Não adie a consulta se a dor estiver piorando ou se houver inchaço.


Febre, inchaço facial importante, dificuldade para abrir a boca ou piora progressiva exigem avaliação rápida eventualmente em ambiente hospitalar. Dificuldade para respirar ou engolir é uma emergência.


O tratamento depende da causa e da gravidade do quadro. Analgésicos e antibióticos, quando indicados, não substituem a investigação do problema.


Afinal, o que é melhor: tirar o siso ou não tirar?

A melhor decisão é aquela que considera o seu caso individualmente, e não uma regra generalizada. A maioria dos sisos acaba precisando ser removido. Se o siso apresenta doença, compromete o dente vizinho ou representa um risco relevante, a extração pode ser indicada o quanto antes.


Se está saudável, funcional, em uma posição favorável e pode ser acompanhado adequadamente, mantê-lo pode ser uma opção, e, quando a escolha é não extrair, isso não deve significar esquecer que o dente existe. O acompanhamento regular com radiografias permite reavaliar as condições clínicas e identificar mudanças ao longo do tempo.


Meu trabalho como cirurgiã bucomaxilofacial não é simplesmente recomendar a extração de todos os sisos. É avaliar cada caso, explicar os riscos e benefícios e ajudar o paciente a tomar uma decisão consciente.


Se você tem dúvidas sobre seus sisos, sente dor ou recebeu uma indicação de extração e deseja entender melhor o motivo, agende uma CONSULTA ESPECIALIZADA.

O mais importante não é simplesmente tirar ou manter o siso. É saber qual decisão faz sentido para a sua saúde bucal.

Comentários


​BMFSurgery - Cirurgia Especializada - CNPJ: 47.378.134.0001-04​

Os planos contratados são entregues no ato e aceitamos reembolso em 7 dias da compra
© 2023 Por Saviere.  Orgulhosamente criado com Wix.com

bottom of page